
Quando se termina um Mastère especializado ou um ano complementar após um mestrado, fica-se com seis anos de estudos superiores contabilizados. Logicamente, busca-se o termo oficial para qualificar esse nível em um currículo ou em um dossiê administrativo. O problema é que a nomenclatura francesa não prevê nenhum diploma nacional estampilhado “bac +6”.
Por que a nomenclatura oficial ignora o bac +6
Desde a reforma de 2019, a classificação dos diplomas na França não funciona mais em “bac + X anos”. Ela se baseia em oito níveis, alinhados com o quadro europeu de certificações (CEC). Os estudos superiores longos se distribuem em três níveis: nível 6 (licenciatura, bac +3), nível 7 (mestrado, bac +5) e nível 8 (doutorado, bac +8).
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Entre o nível 7 e o nível 8, nada. Não há nível 7 bis, nem “bac +6” regulamentar. Entende-se então por que buscar a denominação oficial do bac mais 6 leva a um impasse nos textos administrativos: esse nível simplesmente não foi criado.
Essa ausência não é um esquecimento. A grade de oito níveis foi pensada para harmonizar os diplomas europeus. O CEC prevê um nível 7 cobrindo as formações do tipo mestrado e um nível 8 para o doutorado, sem nível intermediário. A França baseou sua nomenclatura nesse modelo.
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Mastère especializado e formações pós-mestrado: qual é o status real
Se o bac +6 não existe na nomenclatura oficial, algumas formações duram, de fato, seis anos após o bac. O caso mais comum é o Mastère especializado (MS), um selo concedido pela Conferência das Grandes Escolas (CGE).
O MS se posiciona explicitamente como uma formação pós-mestrado. Geralmente, ingressa-se após um diploma de nível 7 e sai-se com um ano adicional de especialização. No mercado, os recrutadores reconhecem esse ano a mais, especialmente em setores como finanças de mercado, gestão da cadeia de suprimentos ou engenharia especializada.
O Mastère especializado continua sendo um selo de escola, não um diploma nacional. Ele não confere nenhum grau universitário além do mestrado. A CGE garante um caderno de encargos (carga horária, missão em empresa, tese profissional), mas esse selo não cria um novo nível no RNCP.
Consequências concretas em um currículo
Pode-se mencionar “bac +6” de forma descritiva em um currículo para indicar a duração total dos estudos. Por outro lado, em um dossiê de concurso da função pública ou em um pedido de equivalência, apenas o nível RNCP conta. Um titular de Mastère especializado será classificado como nível 7, exatamente como um titular de mestrado.
Essa distinção também é importante para o financiamento. As formações inscritas no RNCP podem ser elegíveis para o CPF. Um Mastère especializado não inscrito no registro não se beneficiará desse dispositivo, mesmo que represente um sexto ano de estudos.
Nível RNCP 7 e nível RNCP 8: o que cobre cada nível
Para esclarecer a zona cinzenta em torno do bac +6, é útil olhar precisamente o que abrangem os dois níveis adjacentes.
- Nível 7 (mestrado, bac +5): diplomas nacionais de mestrado, diplomas de engenheiro, diplomas de grandes escolas que conferem o grau de mestre. Os Mastères especializados estão vinculados a ele por falta de nível superior.
- Nível 8 (doutorado, bac +8): reservado para os titulares de um doutorado, ou seja, no mínimo três anos de pesquisa após o mestrado. A diferença entre bac +5 e bac +8 deixa um vazio de dois anos que a nomenclatura não preenche.
- Formações intermediárias não classificadas: alguns diplomas universitários (DU) pós-mestrado, certificados de estabelecimento ou programas executivos duram um ou dois anos após o mestrado sem, no entanto, obter um nível RNCP distinto.
Na função pública, os concursos e as grades salariais se baseiam nesses níveis. Um candidato com bac +6 não se beneficiará de uma grade específica: será tratado como um nível 7.

Bac +6 nos documentos administrativos: a referência desaparece
Os textos recentes sobre concursos e as grades da função pública não mencionam mais a formulação “bac +6”. A coerência com a nomenclatura de 2019 gradualmente apagou essa referência dos documentos oficiais.
Na prática, quando um empregador ou um organismo solicita o “nível de diploma”, os formulários oferecem licenciatura, mestrado, doutorado, ou os níveis 6, 7, 8. Nenhuma caixa intermediária entre mestrado e doutorado está prevista.
O que fazer se quiser valorizar seis anos de estudos
Em um currículo destinado ao setor privado, a menção “bac +6” continua compreensível e amplamente utilizada. Os retornos variam sobre esse ponto conforme os setores, mas a maioria dos recrutadores em empresas lê essa menção sem dificuldade.
Para um dossiê administrativo, indica-se o nível RNCP 7 e especifica-se a natureza exata do diploma complementar (Mastère especializado, DU, certificado de estabelecimento). Essa dupla menção permite valorizar a duração efetiva dos estudos sem contradizer a nomenclatura oficial.
- Currículo setor privado: mencionar “bac +6” com o nome preciso da formação pós-mestrado
- Dossiê de concurso ou equivalência: indicar “nível 7 (RNCP)” e anexar a certificação do diploma complementar
- Perfil LinkedIn ou plataformas de recrutamento: usar a formulação “mestrado + Mastère especializado” para evitar qualquer ambiguidade
O bac +6 descreve uma duração de estudos, não um grau reconhecido pelo Estado. Essa distinção continua sendo o ponto de partida para preencher corretamente qualquer formulário ou negociar uma grade salarial. Enquanto a nomenclatura mantiver sua arquitetura atual, o nível entre mestrado e doutorado permanecerá um espaço sem denominação oficial.